23.1.15

José Almada

"No Verão de 1970, José Almada, então com 19 anos, publicou o seu primeiro disco em modo de apresentação. Tema: os mendigos.

Os mendigos?- perguntarão os intrigados do costume. Sim, os mendigos. Os pobres dos pobres, incluindo os de espírito e estado de vida social. Os que nada têm de seu e de nada precisam dos outros, a não ser a atenção caridosa que passa e mira de soslaio a condição de desgraça, deixando a esmola para a côdea ou para o alívio instantâneo do espírito recolhido em depressão habitual."

Daqui



Deniz(s) Cintra

Deniz Gabriel Valle Cintra nasceu em Lisboa, a 9 de Dezembro de 1951. Faleceu na mesma cidade a 27 de Janeiro de 1990. Intérprete, autor e compositor, Deniz Cintra participou no «Zip-Zip» e realizou diversos recitais, nomeadamente com Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria e Francisco Fanhais, até se exilar em 1972 para Inglaterra devido à guerra colonial.

Aluno do Colégio Moderno, aprendeu a tocar guitarra. Em finais de 60 tinha o seu círculo de amigos na Faculdade de Letras, que não frequentou, o que o levou, para de como cantautor cantar, compor e escrever as letras, a fazer teatro - inclusive sob a direcção do irmão Luís Miguel Cintra - e cinema. Gravou três discos.

Regressou de Inglaterra em meados de 80, onde constituíra família e era assistente social. A doença que contraiu, e que lhe havia de causar a morte, provocou-lhe uma grande mágoa por o impossibilitar de voltar a cantar.

Da sua discografia referimos: Manuel, Philips (1971); Garotas, Orfeu (1971) e Canções de Ódio e Raiva (também de 1971).

Fonte: "Canto de Intervenção" de Eduardo M. Raposo

Página musical


"Daqui o Povo Não Arranca Pé"

(vê-se muito na net o título da canção como "Daqui o povo não ARREDA pé", não é ARREDA mas sim ARRANCA como se pode ver na capa do disco)

Single de 1975 tem como intérpretes, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo.

Depois do 25 de abril as cantigas eram de intervenção politizada, onde predominava a igualdade, fraternidade, exaltava-se o poder popular, a reforma agrária, a nacionalização das empresas, o trabalho contra o capital, etc..

"Queremos um país novo
Assim é que é"

- diz a letra da canção. Pois, mas tudo acabou no 25 de novembro de 1975.

Carlos Alberto Moniz participou no disco de José Afonso "Eu Vou Ser Como a Toupeira", na «Fête de L'Humanité» em Paris, no "Festival da Canção Política" de Berlim, e em espetáculos na Bulgária, Canadá e Espanha.

Maria do Amparo fez parceria com Carlos Alberto Moniz em vários projetos musicais como o grupo "Improviso" e o "Grupo Outubro", grupo de intervenção que podemos ouvir nesta minha página musical.

Página musical


17.12.14

Luís Cília

"O povo unido jamais será vencido"

Sérgio Ortega Quilapayun compôs o hino mundial da resistência popular ao lado de Quilapayún, "O povo unido jamais será vencido".

Este tema foi adaptado por Luís Cília que, como todos o sabemos, teve uma grande aceitação popular pós 25 de abril de 1974.

A frase "O povo unido jamais será vencido", é da autoria de Jorge Eliécer Gaitán assassinado em Bogotá - Colômbia, a 9 de abril de 1948, quando concorreu à Presidência desse país.

O fascismo é universal, enquanto na Colômbia era assassinado Gaitán, em Portugal a 3 de Fevereiro de 1965, era assassinado o General Humberto Delgado (a campanha eleitoral para Presidente em 1958 impressiona Zeca Afonso, que aprofunda a sua viragem político- cultural à esquerda).

Na Colômbia houve um levantamento popular contra o governo para vingar o assassinato de Gaitán (o seu assassino, Juan Roa Sierra, foi golpeado, arrastado e crucificado frente ao palácio presidencial) em Portugal o povo, serenamente, deixou-se adormecer.



Página musical

15.7.14

Cantares de Andarilho



Cantares de Andarilho.

Independente de Cantanhede - 05-Jun-2007

À primeira vista é apenas uma modesta casa comercial situada no topo mais ocidental do largo da vila. Porém, poucos saberão que, por detrás das paredes do nº 315 da Rua Dr José Gomes da Cruz, passou e conviveu gente famosa como os cantores Zeca Afonso e Carlos Paião, entre outros.


É com um misto de saudade e emoção que João Oliveira “Alfaiate”, hoje com 82 anos, se refere ao seu antigo Café Escondidinho: “Foi aqui que nasceu a canção Cantares do Andarilho, com Zeca Afonso a ensaiar os primeiros acordes acompanhado pelo seu viola Rui Pato”, conta este antigo alfaiate, o último a abandonar esta profissão na vila da Tocha.

Também Carlos Paião, celebrizado mais tarde através da canção Em Playback, que o lançaria numa efémera carreira a solo devido à sua morte precoce num acidente de viação, “aqui retemperava energias com umas bifanas e uns copos” sempre que o conjunto Ideal Ritmo, de Ílhavo, onde foi vocalista, vinha actuar no primitivo e vizinho salão da Associação Recreativa 1º de Maio, no intervalo dos bailes.

Hoje, transformado em retrosaria, do antigo café restam as pinturas alusivas nas paredes, junto ao tecto, únicas marcas que ficaram de um passado cheio de histórias, saudade e encanto.

29.5.14

Concerto Solidário - 2005


Concerto de Solidariedade para a construção do Barracão de Cultura de Macieira - Lixa

Com José Mário Branco; Tino Flores e Francisco Fanhais


Dois vídeos com cerca de 55' cada, onde para além das canções dos cantautores presentes se homenageia Zeca com muitas canções do seu reportório.

A foto é o fim do concerto onde se canta "Grândola, Vila Morena".

Vale a pena ver e ouvir.

1º vídeo


2º Vídeo



28.5.14

Zeca Afonso

Baladas de Coimbra - 1963


Este EP foi gravado gravado no Mosteiro de S. Jorge de Milreu - Coimbra tem como acompanhante à viola Rui Pato.

Letra e música de Zeca nas canções "Os Vampiros" e "Menino do Bairro Negro" e musicou as outrsa duas composições.

Enquanto no "Os Vampiros" a letra versa contra a opressão do capitalismo, já o "Menino do Bairro Negro" foi inspirado na miséria do Bairro do Barredo - Porto que devido à ida dos homens para a guerra colonial e à emigração, fez crescer os bairros de lata na periferia das grandes cidades.

É um grito contra a marginalização e a pobreza do nosso povo que mesmo após o 25 de abril de 1974 não conseguiu resolver a situação e agora volta-se a cair nessa pecha da sociedade portuguesa. Não há guerra colonial mas a pobreza aí está, marginalizando de novo o povo sofrido para as periferias do urbanismo sócio-económico mais resistente.

Aqui ficam as quatro canções:

Os Vampiros

Canção do Vai... e Vem

Menino do Bairro Negro

As Pombas

21.5.14

Baladas de Coimbra - 1962


Este EP, os 4 temas são musicados por Zeca Afonso, tem a particularidade de ser o 1º disco onde a presença de Rui Pato então com 16 anos (que viria a acompanhar até 1969 altura que a PIDE impediu Rui Pato de ir até Londres para gravação do álbum "Traz outro amigo também" devido à participação do Rui na Crise Académica de 1969. Como resultado dessa crise na final da Taça de Portugal no Jamor não houve presença de nenhum elemento ligado ao governo e a RTP não transmitiu a final entre Académica vs Benfica que o Benfica viria a vencer por 2-1 no prolongamento com o inevitável Eusébio a marcar o golo da vitórias) se faz sentir. Seria o confirmação do fim da guitarra no acompanhamento, tendo a partir deste EP os acompanhamentos feitos só a viola (já começada nas duas baladas inseridas no disco "Coimbra Orfeon of Portugal" nas canções do Zeca "Minha Mãe e Balada de Aleixo"). Como referi no tema dedicado a Rui Pato, Rui gravou com Zeca três EP's, três LP's e um single num total de 49 temas.

"Menino de'oiro", letra e música de Zeca, era a canção preferida da mãe do Zeca.

Aqui ficam as quatro canções desse EP:

Menino d'Oiro
Tenho Barcos, Tenho Remos
No Lago do Breu
Senhor Poeta