28.10.15

Portugal Hoje

Em 1974 começou a circular no Brasil uma cassete com músicas de Zeca Afonso. O autor (ou autores) eram completamente desconhecidos. Foram colocados alguns vídeos só com som, com este comentário:

"A version of "Traz outro amigo também" that comes from an audio cassette circulating in Brasil in 1974 after the Portuguese revolution.
The author is Zeca Afonso.
The interprets are not identified yet."

Aqui:

https://www.youtube.com/user/blaiseli/videos

Pesquisando cheguei aos autores.


O disco é de Paula Ribas e Luis N'Gambi que, em 1972, foram para o Brasil e lá gravaram o álbum (Discos Marcus Pereira – SCDP/SP-024)




30.9.15

José Manuel Osório

Uma das vozes mais activas em defesa da Fado após o 25 de Abril de 1974, após algumas vozes dissonantes em que repudiavam este género tradicional por se ter acomodado à politica do Estado Novo. Trinta anos mais tarde, Osório foi um nomes que encabeçaram uma lista de artistas e intelectuais que trabalharam em prol do Fado como Património Imaterial da Humanidade.

O curioso neste LP é estar dividido em 2 partes. O Lado A intitula-se "Por Quem Sempre Combateu" e o B como "Quadras Populares". Para quem não estivesse a par da questão do Fado como parte da cultura portuguesa após a Revolução de Abril, o próprio José Manuel Osório assinava um texto introdutório que começa assim:

"Este disco surge numa altura em que muito se discute sobre a validade ou não validade do Fado. Na minha opinião as questões têm sido postas de maneira errada. Não é o Fado que deve ser posto em causa mas sim o que alguns fizeram dele.

Este disco longe de dar uma resposta definitiva aponta uma saída possível. Várias coisas haverá ainda a fazer. Não chega rever o fado ao nível do texto. Novas experiências musicais poderão e deverão ser tentadas. Este disco surge ainda depois de cinco anos de silêncio da minha parte.

Muito pressionado pela censura e pelas firmas por onde passei tornou-se-me impossível a dado momento gravar fosse o que fosse. O que não era cortado pela censura oficial era recusado pela "censura interna" das etiquetas gravadoras. Bom, mas o que lá vai, lá vai. Para este disco fui buscar músicas tradicionais, o que se chama "Fado Clássico". Os poemas são da responsabilidade de duas pessoas, dois amigos, dois camaradas. Francisco Viana e Manuel Correia..."

Participação musical nas guitarras de António Chainho / Arménio Melo e nas violas de Martinho d'Assunção / Vital d'Assunção e José Maria Nóbrega.


26.9.15

Ao Alcance das Mãos

Samuel Leonor Lopes Quedas, conhecido artisticamente apenas como Samuel (Malveira, 1 de Agosto de 1952) é um cantor, compositor e arranjador português.

Foi viver para Setúbal onde conhece José Afonso a quem mostra as suas canções. O cantor apenas apreciou algumas partes dessas canções. Depois dessa conversa, Samuel foi para casa e fez várias cantigas, quase de um dia para o outro. Uma delas, o "Cantigueiro", que foi a sua primeira canção gravada em disco. "O Zeca achou graça, adoptou-a e, praticamente quinze dias depois foi gravada e editada pela editora Arnaldo Trindade". Estávamos em 1972.

Depois do 25 de Abril, participa em muitas sessões de Canto Livre.

Fez parte do Trio Ferrugem e do grupo Pedro Osório SARL participando em muitas sessões de Canto Livre.

Para além do "Cantigueiro", grava o EP "De Pé Pela Revolução" edição paga do seu bolso, o que voltaria a fazer de novo com o "Hino da Reforma Agrária". Em 1979 grava o álbum "Ao Alcance Das Mãos" para a RCA/Telectra, este que podemos ouvir em versão completa.


23.9.15

O que vale a pena

Afonso Dias, é um músico, cantor, poeta e actor português. Foi deputado à Assembleia Constituinte de 1975/76, pela UDP (não tendo contudo exercido outros cargos políticos posteriormente).

Como músico, foi um dos fundadores, em 1974, do GAC – Grupo de Acção Cultural, juntamente com José Mário Branco, Eduardo Paes Mamede e João Loio, com o qual efectuou inúmeras apresentações no país e no estrangeiro, assim como editou diversos discos de estúdio.

(discografia completa do GAC http://gacultural.com.sapo.pt/index.html)

Ao longo da sua carreira tem integrado espectáculos com artistas como José Afonso, Sérgio Godinho, Francisco Fanhais, Manuel Freire, Pedro Barroso, Tino Flores e José Fanha, entre outros, tendo editado vários álbuns de estúdio a solo.

No âmbito do teatro, frequentou, nos anos 60 e 70, acções de formação teatral com Costa Ferreira, Carmen Dolores e Rogério Paulo.

Foi fundador, em 1999, da Trupe Barlaventina – Jograis do Algarve, com a qual realizou inúmeros espectáculos e gravações de estúdio.

Já trabalhou como encenador-actor, colaborando como actor (e cantor), desde 2003, com a ACTA (A Companhia de Teatro do Algarve).

Fonte: wikipédia

Deste cantor podemos ouvir estes dois álbuns

"O Que Vale a Pena" - 1979


"Afonso Dias&a sopa dos pobres - Fado Aleixo" - 2013


21.9.15

Zé Ferrugem

Trio Zé Ferrugem - Zé Ferrugem (1977)

Trio formado por Samuel Quedas​, José Jorge Letria e Nuno Gomes Dos Santos​
Capa: Vítor Ferreira

Textos de ligação de José Jorge Letria ditos por João Paulo Guerra


18.9.15

"Machico, Terra de Abril"

Álbum de 2004 com letra popular e música do padre José Martins Júnior.

José Martins Júnior é um padre e político madeirense.

Professor em diversas escolas madeirenses bem como pelas suas funções de capelão durante dois anos na guerra do Ultramar, entra em conflito em 1974 com as estruturas religiosas. D. Francisco Antunes Santana (bispo do Funchal) tenta, a 5 de Novembro de 1974, auxiliado por elementos das forças policiais, expulsá-lo da paróquia da Ribeira Seca. Contudo a população, fiel ao seu pároco e às ideias que ele defende, luta de forma determinada e inquebrantável durante mais de duas semanas para mantê-lo à frente dos destinos da paróquia. Durante esse período foram recorrentes os protestos, as vigílias diurnas e nocturnas, a agitação e o recurso à violência, quando necessária para defender a sua posição.

Em 2007 com 69 anos reforma-se. Chega assim ao fim, pelo menos temporariamente, a carreira política daquele que foi considerado, durante as últimas três décadas, o principal “inimigo” político do Governo Regional da Madeira.

Fonte: wikipédia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Martins_J%C3%BAnior

Os meus agradecimentos a Zé Mário pelo envio das capas e músicas.

23.1.15

José Almada

"No Verão de 1970, José Almada, então com 19 anos, publicou o seu primeiro disco em modo de apresentação. Tema: os mendigos.

Os mendigos?- perguntarão os intrigados do costume. Sim, os mendigos. Os pobres dos pobres, incluindo os de espírito e estado de vida social. Os que nada têm de seu e de nada precisam dos outros, a não ser a atenção caridosa que passa e mira de soslaio a condição de desgraça, deixando a esmola para a côdea ou para o alívio instantâneo do espírito recolhido em depressão habitual."

Daqui



Deniz(s) Cintra

Deniz Gabriel Valle Cintra nasceu em Lisboa, a 9 de Dezembro de 1951. Faleceu na mesma cidade a 27 de Janeiro de 1990. Intérprete, autor e compositor, Deniz Cintra participou no «Zip-Zip» e realizou diversos recitais, nomeadamente com Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria e Francisco Fanhais, até se exilar em 1972 para Inglaterra devido à guerra colonial.

Aluno do Colégio Moderno, aprendeu a tocar guitarra. Em finais de 60 tinha o seu círculo de amigos na Faculdade de Letras, que não frequentou, o que o levou, para de como cantautor cantar, compor e escrever as letras, a fazer teatro - inclusive sob a direcção do irmão Luís Miguel Cintra - e cinema. Gravou três discos.

Regressou de Inglaterra em meados de 80, onde constituíra família e era assistente social. A doença que contraiu, e que lhe havia de causar a morte, provocou-lhe uma grande mágoa por o impossibilitar de voltar a cantar.

Da sua discografia referimos: Manuel, Philips (1971); Garotas, Orfeu (1971) e Canções de Ódio e Raiva (também de 1971).

Fonte: "Canto de Intervenção" de Eduardo M. Raposo

Página musical


"Daqui o Povo Não Arranca Pé"

(vê-se muito na net o título da canção como "Daqui o povo não ARREDA pé", não é ARREDA mas sim ARRANCA como se pode ver na capa do disco)

Single de 1975 tem como intérpretes, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo.

Depois do 25 de abril as cantigas eram de intervenção politizada, onde predominava a igualdade, fraternidade, exaltava-se o poder popular, a reforma agrária, a nacionalização das empresas, o trabalho contra o capital, etc..

"Queremos um país novo
Assim é que é"

- diz a letra da canção. Pois, mas tudo acabou no 25 de novembro de 1975.

Carlos Alberto Moniz participou no disco de José Afonso "Eu Vou Ser Como a Toupeira", na «Fête de L'Humanité» em Paris, no "Festival da Canção Política" de Berlim, e em espetáculos na Bulgária, Canadá e Espanha.

Maria do Amparo fez parceria com Carlos Alberto Moniz em vários projetos musicais como o grupo "Improviso" e o "Grupo Outubro", grupo de intervenção que podemos ouvir nesta minha página musical.

Página musical


17.12.14

Luís Cília

"O povo unido jamais será vencido"

Sérgio Ortega Quilapayun compôs o hino mundial da resistência popular ao lado de Quilapayún, "O povo unido jamais será vencido".

Este tema foi adaptado por Luís Cília que, como todos o sabemos, teve uma grande aceitação popular pós 25 de abril de 1974.

A frase "O povo unido jamais será vencido", é da autoria de Jorge Eliécer Gaitán assassinado em Bogotá - Colômbia, a 9 de abril de 1948, quando concorreu à Presidência desse país.

O fascismo é universal, enquanto na Colômbia era assassinado Gaitán, em Portugal a 3 de Fevereiro de 1965, era assassinado o General Humberto Delgado (a campanha eleitoral para Presidente em 1958 impressiona Zeca Afonso, que aprofunda a sua viragem político- cultural à esquerda).

Na Colômbia houve um levantamento popular contra o governo para vingar o assassinato de Gaitán (o seu assassino, Juan Roa Sierra, foi golpeado, arrastado e crucificado frente ao palácio presidencial) em Portugal o povo, serenamente, deixou-se adormecer.



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