31.7.09

Manuel Freire





Paradoxalmente de Manuel Freire não foi a canção “Pedra Filosofal” (1969) que me deu a conhecer este cantautor (em Angola, na época, não havia TV e o conhecimento do programa Zip-Zip era nulo). Em 1968 já era muito conhecido pelas interpretações de “Pedro o Soldado"“ poema de Alegre musicado por Manuel Freire:

Já lá vai Pedro soldado
Num barco da nossa armada
E leva o nome bordado
Num saco cheio de nada
Triste vai Pedro soldado


Pelo poema, “Dedicatória”, de F. M. Bernardes:

Se poeta sou
Sei a quem o devo
Ao povo a quem dou
Os versos que escrevo


A canção “Livre” – “Não há machado que corte, a raiz ao pensamento” - foi para mim um dos que mais contribuíram, para a minha paz interior quando me encontrava na tropa, no mato, já que o meu pensamento voava para outras paragens, para longe da guerra, para longe de tudo e de todos e via-me nas praias de Luanda olhando o mar em silêncio.

E depois havia uma outra canção, “Eles” , letra e música de Manuel Freire, que tocava a todos os que se viram obrigados a saírem de Portugal, a salto ou com uma carta de chamada, para longe dos seus como aconteceu a meu Pai e a tantos outros:

Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos


Anos mais tarde compro o LP “Dedicatória” que teve a colaboração de Fernando Alvim e Pedro Caldeira Cabral.

 

Para ampliar, clicar na imagem

Manuel Freire nasceu em Vagos no dia 25 de Abril de 1942. Muito jovem (16 anos) apoia a candidatura do General Humberto Delgado. Estudante em Coimbra, toma contacto com José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. Mesmo depois de ter ido para o Porto, para um meio em que a crise académica que grassava em Coimbra não era tão evidente, Manuel Freire continua a cantar canções de cariz social e política. Como era de esperar a Censura proibiu-lhe os temas "Lutaremos meu amor", "Trova", "O sangue não dá flor" e "Trova do emigrante". Em 1969 vai ao programa Zip-Zip e o belíssimo poema de António Gedeão “Pedra Filosofal” musicado por Manuel Freire, torna-se um ícone da canção de intervenção.

No entanto, eu continuo a não saber a letra desta canção, mas nunca esqueci as que referi quando, menino e moço, as cantava lá longe onde o sol castiga mais!

A uma pergunta minha se alguma vez tinha actuado com o Zeca Afonso em Cabinda (onde fiz a tropa) disse-me Manuel Freire:

“Sobre a sua questão: não, não estive com o Zeca em Cabinda, em 74. Mas estive em Luanda em 73, pela 1ª vez, num espectáculo que começou à meia-noite e acabou com o dia nascido…”

Pois é Manuel, afinal os que estavam em Angola não eram tão reaccionários como os “pintavam”, também lá, como cá, havia gente que, com lágrimas nos olhos, cantava:

(Não há machado que corte
a raíz ao pensamento) [bis]
(não há morte para o vento
não há morte) [bis]

Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida
sem razão seria a vida
sem razão

Nada apaga a luz que vive
num amor num pensamento
porque é livre como o vento
porque é livre



Não há morte para o pensamento pois o homem nasceu para ser livre!

Outras músicas de Manuel Freire

AQUI ou clicar no nome deste cantautor na barra lateral e a página dedicada a Manuel Freire aparece no cabeçalho.

Um "pedido" para o Manuel Freire

Comentário nº144 de Mário Rui em 2009-06-25 15:54:02 no "Livro de Visitas" do meu Cantores de Intervenção passo a citar:

"Se me permites estas palavras de agradecimento são também para Manuel Freire cantor de poetas como os que sabem, mas para um caso em particular (Manuel que o diga) que é António Gedeão (ou Prof. Romulo de Carvalho) que o Manuel tão bem canta. Manuel quando um espetáculo em grande em Lisboa Um Canto Livre para os "jovens" de todas as gerações. Pensa nisso "nós" ajudamos no que for preciso."

Fim de citação.

Não sei quem é o Mário Rui, talvez o Manuel Freire o saiba, mas o pedido fica aqui registado.

Fontes: "Canto de Intervenção" de Eduardo M. Raposo e Wikipédia.

2.6.09

O Voto é do Povo



SABIAM QUE O VOTO EM BRANCO É O MAIS EFICIENTE ???

Leiam mas não se esqueçam que temos de ir lá e ir votar, caso contrário esta "gente" que nos diz governar não aprende.

SE VOTAREM EM BRANCO, ou seja, receber o boletim, dobrar e entregar sem mais nada o que acontece, se a maioria da votação for de votos em branco, eles são obrigados a anular as eleições e fazer novas, mas com outras pessoas diferentes nas listas.

Nenhum politico fala nisto... porquê?

Imaginem só a bronca...

A legislação eleitoral tem esta opção para correr com quem não nos agrada, mas ninguém fala disso.

Não risquem os votos, porque serão anulados e não contam para nada.

VOTEM EM BRANCO!...

Não esquecer que enquanto o País está em crise, os deputados da Assembleia da República receberam carrinhos novos no valor de mais de um milhão de euros

O desemprego aumenta, as fábricas fecham, o povo vem para a rua e os eurodeputados vão para o Parlamento Europeu receber o dobro do que ganhavam. De 3815 euros passam para os 7665 brutos. Isto sem esquecer outros subsídios.

Não nos esqueçamos que os chamados partidos da oposição que tudo contestam, aprovaram por unanimidade a Lei do Financiamento dos Partidos, que passou de 20 e tal mil euros para um milhão e alguns trocos em dinheiro pois como sabemos o dinheiro não fala e depois vêm dizer que não há «lobbys». Ai não, não há!... São uns "beneméritos" as empresas que dão por fora uns dinheiritos para os partidos.

O Vital Moreira, um dos tais que cospe na mão que lhe deu de comer, dizia em 18 de Novembro de 2008 no Jornal "Público" o seguinte sobre os Professores, passo a citar:

a) Que não existe qualquer razão para que os professores não sejam avaliados para efeitos de progressão na carreira;

b) Que os professores não gozam de direito de veto em relação às leis do país, nem podem auto-isentarem-se do seu cumprimento, pelo que não é aceitável qualquer posição que implique resistência à aplicação do actual modelo de avaliação;

c) Que o governo não pode ceder às exigências dos professores, devendo antes abrir processos disciplinares a todos aqueles que ponham em causa a concretização da avaliação dos docentes tal como foi congeminada pelo Ministério da Educação;

d) Que o governo, na batalha contra os professores, deve esforçar-se por chamar a si a opinião pública, isolando, desta forma, a classe docente.


Fim de citação


Domingo vamos dar-lhes a resposta!... Vota em branco!

P.S. - Diz a Comissão Nacional de Eleições (CNE) que não é verdade que uma maioria do voto em branco implique novas eleições, passo a citar:

"Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos relativamente a cada lista concorrente à eleição, não têm influência no apuramento do número de votos e da sua conversão em mandatos".

Fim de citação.

Pode não dar para novas eleições mas demonstra inequivocamente que os Portugueses deixaram de acreditar nos políticos que temos.

19.5.09

Catarina Eufémia



Faz hoje, dia 19 de Maio, 55 anos que Catarina Eufémia foi assassinada.



  Catarina Eufémia nasceu em Baleizão, em 1928, e começou a trabalhar criança.

  Nos anos 50, o proletariado agrícola alentejano fervia de revolta face às aviltantes condições de trabalho. Aos 24 anos, adere ao PCP, e pouco depois, já no Comité Local, lidera a organização de mulheres da sua terra.

  Em 54, a luta ganha novo fôlego, enquanto os latifundiários e o seu governo fascista tentavam por todos os meios impor jornas baixas. Multiplicam-se amplas comissões de unidade nas Praças de Jorna.

  Em Baleizão, perante a recusa do latifundiário em pagar uma jorna digna, os trabalhadores entram em greve a 15 de Maio. Tentando furar a unidade o latifundiário recruta trabalhadores de outra aldeia. O povo marcha então a 19 para a herdade, para juntar à sua luta os novos contratados. O que consegue sem dificuldades. A GNR cerca a herdade e obriga os novos “contratados” a trabalhar sobre as suas armas. Mas o povo de Baleizão não desiste, e perante a sua unidade a GNR deixa uma Comissão de mulheres passar o cordão policial para negociar.

  Catarina lidera esse grupo, grávida do seu quarto filho, o com o mais novo, de 8 meses ao colo. O tenente Carrajola pergunta-lhe “Que queres, bruta?”, “O que eu quero é pão para matar a fome aos meus filhos!”.

  A resposta soou em três tiros desfechados à queima-roupa. Às 11.00 da manhã, de pé e sem medo, morria Catarina Eufémia...

  Este assassinato a sangue-frio foi uma das mais brutais acções do regime de Salazar, causando uma revolta surda e contida entre as massas rurais alentejanas.


  Catarina tornou-se, depois da sua morte trágica, como um símbolo, principalmente entre o Partido Comunista Português, como um modelo de mulher, mãe e militante. Muitas vezes se lhe jurou vingança, tal foi a raiva de dor que pulsou durante décadas no Alentejo por aquel morte estúpida e cruel, aparecendo também flores na campa de Catarina, no cemitério de Quintos, depositadas por desconhecidos.

  Os cantores de intervenção e os poetas opositores ao regime não deixaram também de cantar a pobre camponesa assassinada: José Afonso, Sophia de Mello Breyner ou José Carlos Ary dos Santos, entre outros. No imaginário popular e oposicionista, o assassinato de Catarina Eufémia era a demonstração clara da crueldade e brutalidade dos métodos e formas de resposta por parte do regime às desigualdades e injustiças que apoiava e mantinha.

Com a devida vénia, um poema de Sérgio O. Sá dedicado a Catarina Eufémia.

CHAMAVA-SE CATARINA
Rica de fome,
Pobre de pão.
Chamava-se Catarina,
Trágica foi sua sina.

Seus, teve apenas dois braços,
Braços de mulher, franzinos,
Três filhos bem pequeninos,
Esperança e tantos sonhos
E uma voz inocente
Que não conhecia o medo.
Por isso morreu tão cedo.

Rica de fome,
Pobre de pão.
Em terras do Alentejo
Uma MULHER disse NÃO
À injustiça do tempo.
Por isso morreu tão cedo.
...mataram-na à traição!
Seu sangue puro regou
Os campos de Baleizão.
Quando foi a enterrar
Amortalhou-a a razão.

Rica de fome,
Pobre de pão.
Mataram-na à traição.
Da sua voz inocente
Ficou eco, um eco ingente.

Trágica foi sua sina.
Não terá morrido em vão.
Chamava-se CATARINA!

1978, in; Sérgio O. Sá, VERSOS NA GUERRA - VERSOS DE PAZ

11.5.09

Que é Feito das Violas da Revolução?

Reportagem feita pela TSF em 24 de Abril aos cantautores e músico: APBraga, Francisco Fanhais, Rui Pato e José Barata Moura.

De APBraga poderão ler, neste blogue, um pouco mais no tema que escrevi sobre este cantautor.

Francisco Fanhais, conhecido também por Padre Fanhais, foi uma voz que o clero teve o cuidado de afastar, era uma voz incómoda.

Rui Pato que, com 15 anos, foi a viola que acompanhou Zeca Afonso até 1969 e depois Adriano Correia de Oliveira.

José Barata Moura que, para além das Canções de Intervenção, ficou conhecido também pelas canções dedicadas às crianças.

Com a devida vénia aqui fica reproduzida essa entrevista.

TSF


«Palcos? Isso era um luxo!», lembra Francisco Fanhais, à sombra da memória de concertos sobre tractores, dando força a ocupações populares. Ainda no tempo da outra senhora, já o padre Fanhais tinha percebido que era preciso «cantar mais do que as asas dos anjos».


35 anos depois do 25 de Abril, nos testemunhos de alguns cantores e músicos, reencontramos o antes e o depois da revolução. O médico Rui Pato recorda como, ainda rapaz novo, conheceu Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira: «tempos de risco, tempos de fascínio». O informático AP Braga aprendeu a «não fazer aos outros aquilo que não gosto que não me façam a mim». O professor universitário José Barata Moura pensa que «continua a justificar-se um lugar para o canto político de intervenção e de crítica social».

«Que é Feito das Violas da Revolução?» é uma reportagem de Mário Dias com sonoplastia de João Félix Pereira.






Pode-se ouvir neste aparelho cada um dos intervenientes ou reproduzir toda a reportagem.

25.4.09

Voltaram os Vampiros...



25 de Abril de 1974

 Um sonho tornado realidade! Abre-se no peito dos portugueses o grito da Vitória, o grito da Liberdade!

25 de Abril de 2009

 Em Santa Comba de Dão será inaugurada uma praça com o nome do ditador Salazar.

 O grito dos portugueses está agora mais baixo... Mais baixinho... Tão baixinho que já nem se ouve. Só se vêem bocas a abrir, bocas a fechar e delas já não sai som nenhum.

 Porque morreste Salgueiro Maia? Porque caminhos já andam os teus ideais de Abril? Com a tua morte, do Zeca Afonso, Ary dos Santos, Adriano Correia de Oliveira morreram as Vozes e a esperança de um País.

 Agora andam por aí uns vermes mudando de pele. Ontem de cravo ao peito, hoje de cutelo na mão. Até o poeta “morreu”, já não alegra ninguém!

 O povo vai aguardando que o garrote se feche... Serenamente! Hoje em Santa Comba, depois na TV, na Rádio e o círculo começa a fechar-se.

 Se não acordares hoje Povo de Abril, amanhã será tarde!!!

 Salgueiro Maia, último Herói de Abril, o País está de novo como o teu busto em Castelo de Vide... Cinzento!... Voltaram os vampiros!...


Arranjos do Vídeo e foto: Marius70

25.3.09

Mudam-se os tempos!...



  Cada vez mais se acredita menos na classe política. Eles são amigos uns dos outros. Dão poleiros bem remunerados a quem tem problemas com a justiça. Um mendigo francês foi condenado a um ano de prisão em Espanha por ter roubado meio pão. Os políticos roubam milhares de euros, colocam-nos em off-shores e ainda recebem cargos governamentais ou em Bancos a ganharem o dobro do que ganhavam, isto num país em crise.

  Armando Vara, o tal que quando esteve na RTP disse que tinham todos que vestir a camisola desta estação pública, umas semanas depois foi "apanhado" em corridas de Karting com a camisola da SIC, foi para o BCP duplicando o vencimento ao passar de vogal do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para vice-presidente do Millennium/BCP.

  São verdadeiras chapadas que os políticos dão às classes trabalhadores que lutam para qe o pão nunca falte à mesa, que estão no limite do desespero, que estão à beira do desemprego, dos milhares que estão inscritos no Centro de Emprego e não recebem fundo de desemprego, das empresas que fecham, levando a maquinaria para abrirem noutro lado com trabalhadores pagos a contrato sem termo e a recibos verdes.

  E o nosso PM,o que faz? Nada! Mas o que é que ele fazia e o que é que ele dizia quando era Oposição? Isto que podem ouvir, clicando no Play deste vídeo.


Quando ligarem o vídeo, desliguem a música que é para se ouvir bem o que Sócrates dizia quando estava do outro lado.


  Como diz o José Mário Branco: «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades».

  Que não mudemos nós, vamos dar a essa classe política a resposta que eles merecem!

10.12.08

Vieira da Silva

  Conheci hoje, através do blog BRITEIROS (briteiros.blogspot.com) esta página cujo endereço irei divulgar por todos os amigos. É bom voltar a ouvir, de vez em quando, as canções de Abril (e ainda mais quando, como eu, se participou nessa área). Se puder visite a minha página (www.vieiradasilva-ilhavo.com) onde poderá certamente reconhecer uma ou outra cantiga... Abraço.

vieira da silva 02-06-2007

Marius:
  Obrigado pelas tuas palavras e pela inclusão da "canção para um povo triste". E obrigado pela divulgação que fazes do canto de intervenção. Talvez já sejam horas de voltar à estrada ... Uma grande abraço do vieira da silva.


vieira da silva 01-11-2007

(retirado dos comentários dos "Cantores de Intervenção")



  Escrevi, há já algum tempo, sobre um cantautor que, como muitos outros, fizeram parte da história do 25 de Abril, mas por esta ou aquela razão, não tiveram o mediatismo dum Zeca, do Adriano, José Mário Branco, etc., foi sobre o APBraga.

  Tal como aconteceu com o APBraga foi através dos comentários em cima transcritos que vim a “conhecer” Vieira da Silva. Mas quem é Vieira da Silva?!

  Vou recorrer-me do livro “Canto de Intervenção 1960-1974” de Eduardo M. Raposo (oferta do meu amigo APBraga) para melhor o conhecermos.

  Nasceu em Ílhavo em Julho de 1946. Intérprete, autor e compositor (cantautor), poeta, jornalista de imprensa não diária, tendo sido director da revista MC - Mundo da Canção, Vieira da Silva, foi companheiro de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Francisco Naia, Fanhais, entre outros, integrando o movimento dos cantores de intervenção.



  Ao longo dos seus vinte e cinco anos de existência (com o interregno entre 1985 e 1991), a revista teve como directores Viale Moutinho, Vieira da Silva, António José Campos (durante um brevíssimo período, tendo sido de novo "reconduzido" Vieira da Silva) e Mário Correia, tendo sempre permanecido como editor o seu fundador, Avelino Tavares.

  Como Poeta publicou em 2002 um livro com o título "Marginal (poemas breves e cantigas)"...



                                                  “ Beijo “

                                        meus olhos nos teus
                                        teus olhos nos meus
                                        e mais ninguém junto a nós
                                        nem deus “


  O primeiro dos seus trabalho (1969), Canção para um povo triste, que integra o CD duplo Canções com História, organizado por José Niza – foi apreendido pela PIDE.

  Para além de um poema de Viale Moutinho todas os outros poemas são de sua autoria.

  Poeta publicado e premiado Vieira da Silva, médico em Aveiro, da sua discografia consta a Canção para um Povo Triste; Para a construção da cidade necessária; Canto da Hora Chegada; Onde estás ó liberdade?; O tempo é de guerra - e tantas outras que se poderão ouvir no site:

Vieira da Silva (clicar aqui)

... Mais sobre Vieira da Silva (discografia):

Bandarilhas de Esperança (clicar aqui)

Biografia (clicar aqui)

  ... E amigo Vieira da Silva, depois de tantos anos passados, se calhar (como bem o dizes), está chegada a hora de voltar à estrada. Que a voz nunca te doa!

20.11.08

A Democracia Suspensa!




  Disse a presidente do PSD durante um almoço na Câmara do Comércio Americana em Portugal:

“Até nem sei se não seria bom estar seis meses sem democracia para por tudo na ordem e depois voltar à democracia”.

... Ferreira Leite, e porque não suspender a democracia por 48 anos? Presidente já tem!

18.11.08

Estão Indo ao Nosso Bolso!





  Cada partido político vai receber o equivalente a 3,16 euros por cada voto nas próximas eleições legislativas.

  Ou seja, cada português ao colocar o seu voto na urna está a contribuir para que os deputados na Assembleia tenham todas as mordomias como vencimentos chorudos, carrinho, motorista à ordem, duplicação de tempo de serviço pelos “bons” serviços prestados à “Naçon”, que é levantar e sentar o cu e dizer amén a tudo o que o líder da bancada disser para o fazer (excepto raras e louváveis excepções). Depois votam em leis que os protegem e quem disser o contrário é certo e sabido que não estará lá muito tempo. Se fosse no tempo do Império Romano seriam atirado às feras num qualquer Coliseu.

  Os partidos políticos recebem dinheiro do Estado consoante os números de votos. Não é por acaso que nos Açores todos os presidentes dos partidos dos deputados eleitos estavam com um sorriso de orelha a orelha quando falaram à TV. Perderam todos excepto o PS que continua com a maioria, mas quem os visse pareciam que tinham ganho as eleições. Portugal deve ser o único país civilizado do mundo onde os partidos mesmo perdendo ganham sempre. E têm razão! Ganharam mais uns cobres à custa do erário público pelos votos que receberam já que nada impede que os socialistas nos Açores, assim como no Continente e na Madeira o PSD, votem e façam passar os diplomas a seu bel prazer pois têm a maioria absoluta.

  Depois de aprovada a Lei do Financiamento em 1994, os partidos já receberam 144 milhões de euros sem contar com as ajudas para as campanhas eleitorais. Entre 2005 e 2008, com a actual Lei de Financiamento e das Campanhas Eleitorais que vieram limitar os donativos de privados, foram dados pelo Estado (ou seja, do nosso bolso) 63,20 milhões de euros aos partidos.

  E o que faz o povo anónimo que tem que andar em listas de espera para a Saúde, em filas para os transportes, que ganham misérias comparados com os ganhos dos deputados, que têm que fazer das tripas coração para que nada falte à mesa, nunca comeram caviar, nem lagosta suada, suam sim é correr para casa, correr para o emprego, têm que pedir que o Governo lhes salve as pirites, lhes salve o emprego, lhes salve a vida e só lhes dão promessas?

  Vai votar! Vai dar 3,16 euros de mão beijada para quem boceja ou não comparece no Hemiciclo. A quem ganha ajudas de custo em viagens sem sair de casa! Ou para quem para o debate para ver um jogo do Benfica (não que o Benfica não o mereça) ou da Selecção Nacional e vá até Espanha ver o Barcelona ou o Real Madrid jogar a meio da semana e não lhes seja descontado no vencimento como acontece a qualquer trabalhador.

  Estou a pensar seriamente em gastar esses 3,16 euros na compra de uma grande chucha, junto-a com uma figura do Zé Povinho e coloco-a em frente da Assembleia com um cartaz em letras garrafais a dizer:

“Queres o meus 3,16 euros? Ora... ”

16.11.08

O Último Socialista





 Farto de «pulsões e tiques autoritários», farto daqueles que «não têm dúvidas, nunca se enganam e pensam que podem tudo contra todos».

  Disse Manuel Alegre perante o desassombro de opinião da Ministra da "Educação" em relação à manifestação dos professores no Sábado.

  E o que faz o Parlamento? Estrebucha aqui, pigarreia ali, dois dedos de conversa entre camaradas em "break" de duas horas para um "coffee" e entradas tardias à Segunda, que isto de começar cedo é uma chatice, e saídas de manhã à Sexta que o avião espera para um fim-de-semana em Londres.

  Alegre é o último moicano socialista! É um ingénuo, é um purista, é um poeta.

O poeta sonha, nem sempre a obra nasce.


  Para nascer deveria estar entre os seus, entre gente que, como ele, sonhava nos ideais de Abril. Mas não, Alegre está no meio de gentalha que fizeram das portas de Abril um trampolim para, de fato e gravata, comerem à mesa com talheres de prata.

  Está no meio de néscios que fizeram do que disse o homem cinzento, que é contra os diplomas mas que deixa passar as arbitrariedades do socialismo encapotado, o tal que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava, palavra de ordem.

  Já Manuel Alegre tinha votado contra o Código de Trabalho, na votação final global. Ao lado de Manuel Alegre estiveram quatro deputadas do grupo parlamentar socialista (Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Alho e Matilde Sousa Franco). Alegre esclareceu que votou de acordo com a sua consciência e com o que defendeu no Congresso do Partido Socialista de 2004 e lembrou que o PS é que votou contra o que disse em 2003 sobre o Código de Trabalho de Bagão Félix.

  Sócrates disse que tinha "muito orgulho" em Alegre, mas acrescentou que Alegre "está disponível sempre para dar razão a toda a gente menos ao Governo e ao PS". Alegre não reage, só sorri porque sente ainda aquele partido como seu, mas desengane-se, pode ter direito à indignação mas nada mais do que isso, pois o tempo de Alegre já passou.

  Fica o Manuel, mas Manéis há muitos a comerem umas pataniscas e uns pastéis de bacalhau em qualquer tasca deste país com um quartilho de vinho a acompanhar.

  Mas nem tudo está perdido. A força da manifestação demonstrada pelos professores no Sábado ou a força dos ovos em Fafe, fez a Ministra da (des)Educação recuar e adia a avaliação dos professores para o próximo ano

  Marçal Grilo considerou como resquícios do PREC, os conselhos directivos eleitos, dixit que deveriam ser contratados os directores por concurso público que teriam autonomia na contratação de quem bem entendessem para a direcção pedagógica.

  Penso que acabar com os conselhos directivos eleitos é uma boa ideia para com os deputados que são eleitos pelo povo. Abriam concurso público e, como faziam as tropas pretorianas do Império Romano que elegiam os Imperadores conforme os benefícios monetários, os que melhor garantias dessem ao povo seriam os escolhidos. É que os eleitos pelo o que lá fazem no Parlamento é o mesmo que nada, excepto raras excepções e, por isso, o povo evitava ter que se deslocar às urnas e votar em quem lhes anda sempre a enganar!

  "Para apoiar Sócrates teria de apoiar alguns dos seus apoiantes, e isso não posso fazer", disse Manuel Alegre no programa "Discurso Directo", em extensa entrevista emitida esta manhã (16.11.08) pela TSF e publicada no Diário de Notícias.

  Faz bem que eu vou fazer o mesmo! Avança que aqueles que te apoiaram nas Presidenciais estão à tua espera! Vamos voltar a ser os Socialistas que sempre foste! Não queiras ser... o "Último Socialista"!!