24.4.06
20.1.06
17.1.06
Não Há Duas...

Tento-me convencer que o facto de ter a idade que tenho não me impede, de vez em quando, cumprir com a minha obrigação, a Maria que o diga. Se assim penso, penso que tu também pensas que eu ainda estou para as curvas e, por isso, aqui estou de novo pois como sabes sou como o MP3 – não há duas sem três. Isto agora para nós que ninguém nos ouve, já me custa uma quanto mais três, “merde”. Desculpa estes termos mas sabes que usava muito no tempo do PREC. Era isso e o “mónami” Mitêrrã. Já lá vai o tempo, agora é mais pastéis e croquetes. Sim que isto de dar volta ao país é mais cansativo do que aquelas voltas que dava pelo mundo inteiro no tempo em que dava duas e, o estômago aconchegadito sempre é outra música.
Se o “filósofo” diz que podes calçar as pantufas a partir dos 65 eu quero mostrar-lhe que ainda é cedo para tal. Olha só para mim, já cá cantam 81 primaveras e ainda não me vejo à lareira. De sobretudo, boina à Che (se visses a colecção de chapéus que tenho até caías, é um chapéu para cada ocasião) e lá vou eu. Tanto bailo na Nazaré como em Alcagoitas de Baixo, o que é preciso é que sintas que eu ainda posso atingir uma terceira vez, sem comprimidos azuis.
Os que comigo discutem o lugar não têm hipóteses, sabes porquê? Porque conta muito a experiência. Viste aquele debate? Eu malhava nele e ele nada. Eu dizia que ele era um homem do passado, falava do passado dele e ele nada. Cheguei a pensar que estava a falar com uma esfinge do Egipto. O homem não me dava cavaco. Já me torcia todo na cadeira com medo que lhe caísse o nariz e nem nariz nem rosto nem aquele traço na boca dele se lhe alterou, “merde” assim não dá. Mais valia terem-me lá colocado a estátua de cera do Mourinho que ao menos essa aí ainda tem a gravata toda torcida sinal que se mexe, agora aquele ali… nem pestanejou!
E aquele poeta que pensava que lá por ter lutado por Abril iria ter o apoio dos tais que me apoiaram para que o esfíngico ganhasse. Estás a rir-te? Repara bem, quantos candidatos há do lado esquerdo (faz de conta que ainda sou desse lado)? Quatro. Do outro lado? Um. Povo dividido… povo vencido. Estás a ver a estratégia, e assim vai para lá o tal que nem come pastéis nem croquetes, sisudo, cabelo lacado, mas, mesmo assim, ainda acredito que tu vais fazer os possíveis para que eu pelo menos fique à frente do poeta, senão que “ganda” barraca que isto vai dar e... lá se vai o marocaséfixe.
14.1.06
Por Ti Fiz... Abril.

Sei que esperavas de mim um sim e eu disse… “nim”. Olhei para ti e verifiquei a tua decepção. Contavas comigo e eu, sentindo a tua presença em mim, disse... sim!
Por ti fiz Abril. Por ti deixei o país, por ti dei a minha voz, por ti gritei... Liberdade!
Hoje sei, que isso que por ti fiz está esquecido, dás voz a quem nunca deu a voz por ti. Mas compreendo-te. Não é fácil ver o que vemos. Tudo cada vez mais difícil, mais longe dos ideais que fizeram Abril. Eu sei que também tenho a minha cota parte em tudo isso, mas sabes como é, gostar de alguém como eu gosto tem dessas facetas menos agradáveis. Mas afinal não valeu a pena. Afinal quando me deviam ter apoiado viraram-me as costas. Gente que nunca soube o que era estar na prisão por ti. Gente que cai de ski enquanto eu caía nas malhas daqueles que te oprimiam.
As palavras e os actos morrem na voragem do tempo, mas sei que as minhas trovas ainda hoje são para ti um bálsamo e, quando passo, olhas para mim com a nostalgia de um passado que te fez vibrar, que te fez vir para a rua, que te fez lutar por um país livre, por um país que quiseste bom para ti e para as gerações vindouras. Eu estou aqui. Faço parte de um passado, mas também faço parte de um futuro caso tu o queiras.
Sei que como poeta que sou, graça em mim uma certa ingenuidade. Uma ingenuidade de criança em corpo de homem, mas sabes como é!... se assim não fosse, não seria eu. Sou o que sou e sei que sendo como sou tu olhas para mim de uma forma diferente da que olhas para os outros. Sei que gostas de mim e sei que não me irei arrepender de ter dito sim, porque tu o quiseste e por ti voltei a ser quem sou, um homem que ama a Liberdade, a Cidadania e teve em ti a inspiração nas Trovas que o meu coração cantou.
P.S. – Manuel podes não ganhar, podes até não conseguir aquilo que pretendes, mas podes estar certo que nas minhas longas noites de capim, uma voz cantou aquilo que tu um dia escreveste, e eu, ali, no meio daquele “Mar Vegetal” senti em ti... Abril. Para mim serás sempre... o meu PRESIDENTE!
10.1.06
Com Confiança…

… Te digo que se tivesses dançado comigo não te irias casar com outro. Mas não, preferes um pé-de-chumbo ao meu passo ligeiro. Se me visses, todo esbelto, sim que sou lindo, já uma peixeira me tinha dito, a dançar, não uma dança de salão qualquer mas sim uma da nossa terra, daquelas que tu gostas, nunca mais me esquecerias.
Ai, como eu deslizo, suave como uma pena, tanto nos mercados como nas fábricas. Mas tu não queres saber. E o meu sorriso, quão alvo ele é. Sorrio para a esquerda, sorrio para a direita, levanto a cabeça, até parece que vou fazer uma pega de caras e, ali, o povo todo unido a bater palmas e olé!... Desculpa-me esta exaltação!... Até estou envergonhado!
Também sei fazer cara de poucos amigos, sabes como é, uma pessoa também não pode ser uma perna aberta para toda a gente, há que manter as distâncias pois o que seria se tu soubesses que nas horas que não estou contigo estou no bailarico com outras?
Ainda um dia destes veio um pateta alegre desancar-me por causa de um Cunhal qualquer que nem conheço, mas levou logo pela medida grande e ali mesmo cantei o Grândola de um revolucionário cantor ostracizado por um partido que desconheço.
Ah se tu me visses, ali de braço dado com o pessoal, deviam pensar que podia cair e estavam a segurar-me, talvez lembrados do que aconteceu a um que fuma charutos e fala durante horas, que tropeçou em pleno palco caindo para gáudio dos milhares vendilhões de templos.
Com confiança te digo, se olhares para mim como devias ter sempre olhado, outro galo cantará no poleiro e só ficarás a ganhar, terás toda a aldeia como pista de dança e, enquanto houver pão e circo, todos os dias será um bailarico pegado.
8.1.06
Olhos... em ti!

Olhei no teu olhar. Reparei que me olhavas de esguelha e não sabia a razão dessa tua postura ocular. Sei que não te mereço. Sei que em tempos idos te atraiçoei quando pensavas que eu ia ter contigo e deixei-te a falar sozinho enquanto voava em direcção ao Big Ben, tal e qual, mas compreende, foram devaneios de juventude. Hoje não sei mais o que fazer para merecer o teu perdão. De joelhos não dá que isto não está para gastos supérfluos. Pensei em suicidar-me mas, quando me atirei, a água dava-me pelos joelhos e parecia mal um suicídio em tão pouca água.
Tenho corrido seca e Meca, mais seca que estas caminhadas dão-me uma sede do caraças e eu não posso parar em todas as tascas que aparecem no caminho senão o que irias tu pensar de mim, tu… sim tu que não me dás tréguas. Requeres tanto que, eu, quando parei naquela vidreira para te comprar uma jarra que me garantisse o teu perdão, verifiquei que estava lá escrito Olhos nos Olhos e eu, que só tenho olhos para ti, ia lá oferecer algo que me cheirava a narcisismo, daí uma lágrima traiçoeira me ter embaciado os óculos.
Procurei um artesanato para te oferecer amor, mas o que encontrei tinha uma cavaca e sabes que uma cavaca tem um vazio e o meu amor por ti é algo cheio de sentimentos. Sei que já não contas comigo, mas eu conto contigo e, só quando olhar de novo no teu olhar e verificar que afinal ter ido a Meca não valeu a pena, é que desistirei. Até lá terás que levar comigo custe o que custar, pois o que espero de ti é que me digas nesse Domingo, Olhos nos Olhos, que eu já era e, assim, resta-me, como bela recordação, aquele momento em que tu me disseste: «É tão bom… não foi?»
08-01-2006
28.8.05
Eu... Presidente!

É verdade, ser presidente de qualquer coisa neste país é o que está a dar. Assim, de palanque em palanque, com música à mistura, poderei gritar bem alto que se o país continuar entregue aos maçónicos darei, como D. Pedro, o meu grito não do Ipiranga que isso é bem longe mas um gritinho, tipo bailinho, e decretar a independência da ilha, da minha ilha pois quem é soba em terra de cegos é rei. O que é que eu sou?!… o que é que eu sou?!…. Dirá o povoléu: - És rei, és rei,... e eu colocando as mãos na minha saliente barriga, que o resto nem sei se existe já que os espelhos lá de casa são tipo meio-corpo, mandarei vir coches de Lisboa e far-me-ei não rei mas sim Imperador, tipo Bokassa, esse canibal do Império Centro-Africano.
Ou talvez não, ser presidente de uma ilha não é lá grande ideia. Se um dia a ilha se afunda lá se vai o meu Império pela retrete da Terra abaixo. Que tal ser presidente de várias coisas ao mesmo tempo? Hum!... Boa nota. Presidente do Metro, da Câmara do meu burgo, da Liga de futebol e representante de um país africano para ficar livre de ser revistado no aeroporto pois ser presidente e pertencer ao Corpo Diplomático é só vantagens.
Já há muito se diz: «Com CD quem ganha é você» …
Estou é a sonhar alto de mais. Vou é ser presidente do C.F.C.. É que se for apanhado a mais de 200 kms/hora direi que tenho uma reunião de urgência e, embora esteja só a 28 kms do local e faltarem 3 horas para o inicio direi que, como presidente, terei que dar o exemplo e chegar mais cedo para fazer o aquecimento. Presidente que se preze tem que ser o primeiro.
Mas ser presidente disto irrita-me. Quando passo por uma adega e me perguntam: «Branco ou tinto», tenho sempre que responder: – Cheio!... Olhe, misture lá dos dois que eu cá não sou esquisito, é que ser presidente dos Copofónicos Futebol Club não pode estar com essas mariquices.
Ah?!... Dirão vocês, o que é que o futebol tem a haver com os Copofónicos?!... É simples, meus caros, é que se um dia tiver um processo à perna é certo e sabido que será como o do “Apito Dourado”, faz que anda… mas não anda neste país de brandos costumes.
Tenho dito!...
28-08-2005
10.8.05
Trapaceiro...
Bin Laden ataca em Portugal. Só pode ser. Não é que enquanto o 1º, com as mãos na alavanca do detonador, dava gargalhadinhas de prazer – terá aprendido com alguma hiena no Seringueti?! – já uma das torres em Tróia estava a cair?
Como não acredito que a alavanca seja tipo rapidinha «É tão bom não foi?», só pode ter sido o trapaceiro do Bin, tal a experiência que ele tem em matéria de demolições.
Isso não se faz. E agora? Com que cara irá o 1º dizer aos “boys”, a sensação que teve ao carregar no manípulo e ver jorrar aquela poeirada toda como se duma ejaculação das próprias entranhas se tratasse?
Para a próxima, acho bem que o 1º certifique se o detonador é aquele mesmo e siga os fios até ao centro da implosão. O mal, é se alguém não repara e carrega no manípulo verdadeiro!...

10-09-2005
2.8.05
Um Sonho Lindo!...

Vou para o Quénia. Qual ilha qual carapuça, eu quero e vou para o Seringueti. Até porque uma ilha não nos dá as emoções que uma reserva nos oferece, a não ser que se afunde como Atlântida, mas isso não sabemos quando acontece e bem podemos esperar sentados para sentir a adrenalina subir ao ver uma ilha a afundar. Está decidido, vou fazer um safari no Quénia.
Que emoção sentir os balanços do jeep e o rabiosque aos pulinhos por aqueles terrenos selvagens. O vidro da frente descido, sentir as lufadas de ar quente no rosto transportando cheiros de bosta de elefante, o bafio daquelas bocas enormes dos hipopótamos, os embates dos mosquitos nos óculos Ray-ban, que maravilha.
Que importa a mim os incêndios, a seca, a água que se desbarata no regadio de jardins e muitas vezes da estrada. Estou a ver-me ali, a admirar os animais selvagens pela primeira vez, sim que os únicos que até agora tinha visto foi no jardim zoológico ou no Badoka. Não há vida como esta, foi bom ter aqui chegado senão via o Quénia por um canudo.
Ui, que felicidade pegar na arma e dar um tirinho naquela gazela doente. Faz-me sentir um Commodus, esse imperador que se auto denominava de Hércules Romanus e ia à arena do Coliseu e matava animais e gladiadores feridos. Como filósofo que sou tive este pensamento: «Aos feridos e moribundos trato eu da saúde», profundo não é?
Que volúpia, que sensação, que prazer, que orgasmo ver aquele leão em cima da leoa agachada, morder-lhe o pescoço, arreganhar os dentes e eriçar os bigodes. Não é só o Gomes que pode dizer que marcar um golo é o mesmo que ter um orgasmo eu também os tenho e não marco golos há muito tempo. Por falar nisso, lembrei-me agora do Rei D. Dinis quando dizia: «Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado! Ai Deus, e u é?». Vou perguntar ao correio-mor cá do sítio se chegou carta para mim.
Estou farto de um país que se diz de tanga. Tanga têm os dançarinos que à noite vêm bailar para mim ao som do batuque. Eles e elas em rodopio frenético com a tanga a dar a dar, ai que anseio ver se por debaixo daquela tanga têm o mesmo que os escoceses com os kilts.
Mas que som é este que me afecta os sentidos e me desperta para a realidade? O despertador, maldito despertador, agora que estava no melhor da cena vem este maldito dizer-me: «Marius, levanta-te, está na hora de ires trabalhar».
Que sonho lindo estava a ter, sonhava ser primeiro-ministro de um país de cegos.
Que emoção sentir os balanços do jeep e o rabiosque aos pulinhos por aqueles terrenos selvagens. O vidro da frente descido, sentir as lufadas de ar quente no rosto transportando cheiros de bosta de elefante, o bafio daquelas bocas enormes dos hipopótamos, os embates dos mosquitos nos óculos Ray-ban, que maravilha.
Que importa a mim os incêndios, a seca, a água que se desbarata no regadio de jardins e muitas vezes da estrada. Estou a ver-me ali, a admirar os animais selvagens pela primeira vez, sim que os únicos que até agora tinha visto foi no jardim zoológico ou no Badoka. Não há vida como esta, foi bom ter aqui chegado senão via o Quénia por um canudo.
Ui, que felicidade pegar na arma e dar um tirinho naquela gazela doente. Faz-me sentir um Commodus, esse imperador que se auto denominava de Hércules Romanus e ia à arena do Coliseu e matava animais e gladiadores feridos. Como filósofo que sou tive este pensamento: «Aos feridos e moribundos trato eu da saúde», profundo não é?
Que volúpia, que sensação, que prazer, que orgasmo ver aquele leão em cima da leoa agachada, morder-lhe o pescoço, arreganhar os dentes e eriçar os bigodes. Não é só o Gomes que pode dizer que marcar um golo é o mesmo que ter um orgasmo eu também os tenho e não marco golos há muito tempo. Por falar nisso, lembrei-me agora do Rei D. Dinis quando dizia: «Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado! Ai Deus, e u é?». Vou perguntar ao correio-mor cá do sítio se chegou carta para mim.
Estou farto de um país que se diz de tanga. Tanga têm os dançarinos que à noite vêm bailar para mim ao som do batuque. Eles e elas em rodopio frenético com a tanga a dar a dar, ai que anseio ver se por debaixo daquela tanga têm o mesmo que os escoceses com os kilts.
Mas que som é este que me afecta os sentidos e me desperta para a realidade? O despertador, maldito despertador, agora que estava no melhor da cena vem este maldito dizer-me: «Marius, levanta-te, está na hora de ires trabalhar».
Que sonho lindo estava a ter, sonhava ser primeiro-ministro de um país de cegos.
02-08-2005
24.4.05
E Hoje?... Que Abril?!...
O Exílio!...
Isolamento político... Trova do Vento que Passa
A Alvorada!...
Primeira senha... E Depois do Adeus.
Segunda senha... Grândola Vila Morena
A Ascensão!...
Marcha associada ao MFA... A life on the ocean waves.
Movimento popular... Organização Popular.
Movimentos populares de base... Viva o Poder Popular
O declínio!...
Fuga de ex-PIDE/DGS... Fado de Alcoentre
Fim do período revolucionário... Eu Vim de Longe
25 de Abril de 1974
Trinta e um anos são passados sobre a revolução de Abril.
Era o tempo das calças à “boca-de-sino”, dos socos, botas de saltos muito altos e grossos. Dos cigarros “Provisórios” e “Definitivos”, dos penicos em metal, louça ou plástico, dos gira-discos onde rodavam os “LP’s” e os “singles” de vinil. Do “Mundo de Aventuras”, do “Condor”, “Cavaleiro Andante” e de tantos outros livros de banda desenhada que acompanharam a nossa meninice. Dos sinaleiros e dos tostões já em decadência.
Hoje já nada é como era. Assim, como o tempo fez desaparecer tudo isto também fará por fazer desaparecer a essência da revolução do 25 de Abril. Será mais um feriado como tantos outros que fazem parte da nossa história.
Desaparecidas as gerações de 40, 50 e da 1ª metade dos anos 60 nada restará. Os nossos filhos, os nossos netos, terão conhecimento desta revolução através dos livros de escola. Os “chaimites” de Jaime Neves e do grande capitão de Abril que foi Salgueiro Maia, irão fazer parte daquelas histórias que estudámos desde D. Afonso Henriques. Restará, depois, pouco na memória de cada um consoante a cultura que lhes ficar depois de se esquecerem de tudo o que aprenderam. Mas, enquanto existir um daqueles das gerações que referi, a revolução será sempre contada ao vivo e a cores. Marius70 irá, enquanto a memória o permitir, recordar aquele dia em que de braço dado com Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Padre Fanhais, José Mário Branco, Fausto, cantou, fardado,... Grândola, Vila Morena!
Aos políticos deste país. Estão a tentar adormecer a Revolução dos cravos mas, cuidado, deixam-na adormecer devagarinho, não façam barulho, pois pode um dia, de novo, o povo acordar e, Abril volte... a ser Abril!
Abril de Abril
Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.
Manuel Alegre
30 Anos de Poesia
24-04-2005
Isolamento político... Trova do Vento que Passa
A Alvorada!...
Primeira senha... E Depois do Adeus.
Segunda senha... Grândola Vila Morena
A Ascensão!...
Marcha associada ao MFA... A life on the ocean waves.
Movimento popular... Organização Popular.
Movimentos populares de base... Viva o Poder Popular
O declínio!...
Fuga de ex-PIDE/DGS... Fado de Alcoentre
Fim do período revolucionário... Eu Vim de Longe
25 de Abril de 1974
Trinta e um anos são passados sobre a revolução de Abril.
Era o tempo das calças à “boca-de-sino”, dos socos, botas de saltos muito altos e grossos. Dos cigarros “Provisórios” e “Definitivos”, dos penicos em metal, louça ou plástico, dos gira-discos onde rodavam os “LP’s” e os “singles” de vinil. Do “Mundo de Aventuras”, do “Condor”, “Cavaleiro Andante” e de tantos outros livros de banda desenhada que acompanharam a nossa meninice. Dos sinaleiros e dos tostões já em decadência.
Hoje já nada é como era. Assim, como o tempo fez desaparecer tudo isto também fará por fazer desaparecer a essência da revolução do 25 de Abril. Será mais um feriado como tantos outros que fazem parte da nossa história.
Desaparecidas as gerações de 40, 50 e da 1ª metade dos anos 60 nada restará. Os nossos filhos, os nossos netos, terão conhecimento desta revolução através dos livros de escola. Os “chaimites” de Jaime Neves e do grande capitão de Abril que foi Salgueiro Maia, irão fazer parte daquelas histórias que estudámos desde D. Afonso Henriques. Restará, depois, pouco na memória de cada um consoante a cultura que lhes ficar depois de se esquecerem de tudo o que aprenderam. Mas, enquanto existir um daqueles das gerações que referi, a revolução será sempre contada ao vivo e a cores. Marius70 irá, enquanto a memória o permitir, recordar aquele dia em que de braço dado com Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Padre Fanhais, José Mário Branco, Fausto, cantou, fardado,... Grândola, Vila Morena!
Aos políticos deste país. Estão a tentar adormecer a Revolução dos cravos mas, cuidado, deixam-na adormecer devagarinho, não façam barulho, pois pode um dia, de novo, o povo acordar e, Abril volte... a ser Abril!
Abril de AbrilEra um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.
Manuel Alegre
30 Anos de Poesia
24-04-2005
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